Depois escrever e revisar nosso texto, podemos ficar sem saber se o que foi para a página está realmente funcionando. Ora achamos que sim, ora que não. É muito difícil mesmo avaliar a própria produção. E mesmo quando temos o feedback de nossos imprescindíveis primeiros leitores – geralmente nossos parceiros amorosos, parentes e amigos –, muitas vezes ouvimos um enfático “está bom, mas também não está”. E é isso mesmo! E compreendemos, mas também não compreendemos. “Você poderia me explicar melhor?”, perguntamos com um olhar entre o desapontamento e a gana de fazer bem feito, afinal alguém leu nosso texto! Bom, ouça tudo com muita atenção. Sem tentar se defender: ouça. Se você não conseguir entender nem resolver o problema, procure ajuda profissional. Recentemente, fiz uma leitura crítica de um original de um autor que tinha uma ótima história que, no entanto, não estava funcionando. Ele soube disso pela leitura de sua esposa, que “gostou, mas não gostou” da história. Minha leitura mostrou que, apesar de os personagens e enredo estarem muito bem construídos, sua riqueza estava sendo ofuscada por um tempo narrativo mal explorado pelo autor. Uma leitura especializada serve exatamente para isso – mostrar o que não somos capazes de ver sozinhos ou o que nossos primeiros leitores não conseguem nos dizer com clareza nem explicar como seguir adiante. Boa escuta!

Adriana de Oliveira Silva

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